quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cusco:
O boleto turístico e outras dicas práticas

O campanário de La Merced, 
Post atualizado em outubro de 2015

O aeroporto de Cusco ferve, todos os dias, com uma profusão de agentes de viagens propondo todo tipo de roteiros aos turistas que desembarcam na cidade. É importante comparar os preços e os serviços oferecidos.

A maneira mais rápida de chegar a Cusco é de avião. Nós viemos de Lima, mas também tem vôos partindo de Juliaca (perto de Puno, no Lago Titicaca, para quem vem da Bolívia) e de outros aeroportos. Várias companhias voam para a cidade. A que tem mais frequências é a TACA
De Puno também é possível chegar a Cusco de trem. São 8 horas de viagem. A Peru Rail  cobra US$ 220 pela passagem (atualização: também há um ônibus turístico desde Puno, que para em quatro sítios arqueológicos no caminho. A viagem também dura 8 horas e custa US$ 20. Dá para consultar horários e roteiros no site). Fiz essa viagem em 2010 e contei aqui:


Praça de San Francisco
Onde Ficar

A oferta de hospedagem em Cusco cobre toda a gama de orçamentos. Se você não tiver reserva, peça para ver o quarto antes de pagar, pois a quantidade de muquifos é inacreditável. Mesmo os hotéis que se anunciam como "de médio padrão" costumam ficar devendo nos capítulos conforto e limpeza. Em épocas mais concorridas, como no período do Inti Raymi (a Festa do Sol, em 24 de junho) é prudente fazer reservas com antecedência.

Se você estiver com o fôlego em dia, pode optar por se hospedar no charmoso bairro de San Blas — onde os preços costumam ser menos inflacionados —  mas certifique-se de que aguentará subir a ladeira até lá, no fim do dia. 


Nosso quarto no Sonesta Posada del Inca
Nem vou citar os dois hotéis onde me hospedei nas primeiras passagens por Cusco, porque não valem a pena. Na terceira visita, em 2010, porém, fiquei muito bem acomodada no Sonesta Posada del Inca, do lado da Praça de Armas e super recomendo.

Os quartos triplos gigantescos, com três camas de casal e espaço de sobra, estava com diárias de US$ 110, uma pechincha pela qualidade, conforto e serviço do estabelecimento. Adorei!! 

Vale a pena gastar um pouquinho mais com hospedagem para garantir o conforto. Em Cusco, muitas vezes a economia de 20 ou 30 dólares vai significar dormir com travesseiros mofados, em quartos muito mal varridos. 

A fachada do hotel, ao lado da Praça de Armas

Pela Calle Triunfo (ou Calle  Hatun Rumiyoc, seu nome quéchua), a caminho do bairro de San Blas, preste atenção à Casa do Arcebispo, construída sobre os restos do antigo palácio de Inca Roca. As elegantes paredes incas ainda estão lá e atraem muitos turistas para ver a "pedra de 12 ângulos", exemplo do engenhoso encaixe das construções do povo da cordilheira
Para ver os museus, igrejas e templos de Cusco e arredores, é preciso comprar um boleto turístico,  passe que dá acesso às principais atrações, inclusive ao sítio arqueológico de Ollantaytambo, no Vale Sagrado. Custa US$ 10. (Atualização em outubro de 2015: o boleto custa agora 130 soles, ou US$ 40). 

O boleto é aceito em 16 atrações de Cusco e arredores:

Com excursão,
você só vai fotografar
 Ollantaytambo no contraluz
Sítio Arquológico de Moray 
A 45 km de Cusco, conjunto de terraços circulares, semelhantes a um anfiteatro. Os arqueólogos divergem sobre sua utilização. Poderia ser um teatro, um centro cerimonial ou mesmo um conjunto de terraços de cultivo agrícola. 

O blog Andarilhos do Mundo tem um post legal sobre este lugar: Peru além do básico - Maras e Moray.

. Ollantaytambo
A 60 km de Cusco, Vale do Urubamba.
É uma das construções mais impressionantes de toda a região. Foi daqui que o inca Manqo Yupanki comandou a resistência contra a invasão espanhola, após a queda de Cusco.

Normalmente chamada de "fortaleza", o lugar era bem mais que isso — o tambo inca se aproxima mais da ideia do castelo medieval, um centro político, militar e social. Ollantaytambo era um complexo de palácios, templos, terraços de cultivo e fortificações que você não pode perder. Não se intimide com as escadarias, pois a subida vale a pena.

A pequena cidade de Ollantaytambo, aos pés da construção, já tem uma estrutura arrumadinha de hospedagens, restaurantes e cafés. É um dos pontos de partida da Trilha Inca e sua estação é ponto final do trem backpaker, o mais barato, que segue para Machu Picchu. Minha dica é tentar dormir por lá e ver as ruínas de manhã. Embora o lugar seja parada obrigatória nas excursões ao Vale Sagrado, os grupos geralmente só chegam à tarde, o que resulta em fotos no contraluz.

Aqui na Fragata tem mais informações neste post: Um dia no Vale Sagrado dos Incas.

A pequena vila de Chinchero, a 3.700 metros de altitude

. Chinchero
A 30 km de Cusco. Visitei esse povoado a mais de 3.700 metros de altitude nas três vezes em que estive na cidade. É parada certa no tour pelo Vale do Urubamba oferecido pelas agências locais. Sua principal atração é a igreja do Século 17, erguida sobre uma antiga construção inca e com as paredes totalmente recobertas por belas pinturas sacras, onde elementos da estética quéchua e da vida cotidiana local se misturam às tradições cristãs. É imperdível. 

Chinchero também é um famoso centro têxtil. Sempre fiz ótimas compras lá, seja de tapetes, tecidos ou mesmo excelentes peças de cerâmica. Falei da vila no post sobre o Vale do Urubamba

O sítio arqueológico de Pisac

.. e a cidade, à sombra da montanha
. Pisac
A 30 km de Cusco, no Vale do Urubamba. A cidade é famosa por seu imenso mercado de artesanato, onde você vai encontrar toda a sorte de lembrancinhas típicas em lã, cerâmica e couro e outros materiais. Muita coisa vendida lá é de baixa qualidade, industrializada, portanto, pesquise direitinho na hora de comprar. A entrada no mercado é livre. 

O boleto turístico dá acesso ao sítio arqueológico no alto da montanha, um antigo centro de abastecimento (os terraços de cultivo são impressionantes) e posto de vigia, dominando uma vasta extensão do vale.

Pisac também está no post sobre o Vale do Urubamba

Sacsayhuaman
. Tambomachay, Q'enqo, Pukapukará e Sacsayhuaman
Essas quatro construções incas ficam nas montanhas que rodeiam Cusco e com um pouquinho de fôlego dá até para visitá-las a pé. Elas também são parada obrigatória no city tour oferecido pelas agências. Seja lá como for, o que você não pode é deixar de ir, porque são fantásticas — prefira ir com um guia, para compreender o que vai ver por lá.

Saqsayhuamán (você também vai encontrar a grafia Saqsaywaman) pode ser alcançado por uma trilha de cerca de 1 km, a partir da Praça de Armas de Cusco. O caminho, montanha acima, ainda preserva boa parte do calçamento inca original. A construção, em forma de raio, era uma fortaleza destinada à proteção da capital do império inca. Hoje, é famosa como palco da celebração do Inti Raymi, a festa do sol, no dia 24 de junho (solstício de inverno). Eu assisti a essa cerimônia, em 2003 (minha segunda visita a Cusco), e contei como foi neste post:

Inti Raymi, a festa do Sol

O Inti Raymi em Saqsayhuamán
Q’enqo (a 4 km da Praça de Armas) era um santuário destinado aos banhos cerimoniais, rituais de embalsamento dos mortos, sacrifícios. O local também abrigava um observatório astronômico (as intiwatanas — pedras de “amarrar o sol” ainda estão lá). Para os incas, as observações astronômicas eram fundamentais para a medição do tempo e o correto estabelecimento da época do plantio. Pukapukará é uma fortaleza impressionante, com vista para uma vasta porção das terras ao pé da montanha, um posto de observação das estradas em torno de Cusco. Tambomachay eram as termas destinada ao Inca e à alta nobreza imperial.

Não escrevi sobre essas construções aqui na Fragata. Se quiser mais dicas e ver muitas fotos, tem dois posts bacanas:



Tipón e Pikillacta
Tipón, santuário dedicado à água, fica a 25 km do centro de Cusco e pode ser visitado diariamente das 7h às 18 horas. Pikillacta, é uma antiga vila do povo Wari, a 30 km de Cusco. Ainda não tive a chance de conhecer esses dois sítios, mas o blog Sundaycooks tem um post sobre ambos.

Museu do Qorikancha, Museu Municipal de Arte Conteporânea, Museu Histórico Regional e Museu de Arte Popular
Desses quatro museus cusqueños, só visitei o Museu do Qorikancha (o Templo do Sol), que fica em uma galeria subterrânea na praça em frente à famosa construção. Não confunda com o templo (espetacular!) cuja entrada não está incluída no boleto. 

O museu incluído no boleto é bem modesto. São apenas cinco salas onde está traçada a cronologia da ocupação da região, desde as civilizações pré-incaicas. Exibe, também, algumas peças encontradas nas escavações do Qorikancha.

O acesso é pela Avenida El Sol e o museu pode ser visto de segunda a sábado, das 8h às 17h e aos domingos, das 14h às 16h. Vá, se tiver tempo. 

Centro Qosqo de Arte Nativo
Música e danças típicas, com entrada incluída no boleto turístico
Em três visitas a Cusco, não consegui encontrar tempo para ver as apresentações de danças tradicionais realizadas no Centro Qosqo de Arte Nativo — não sei se é trauma com as "danças típicas" para turista na Bahia, mas eu desconfio até de "show de Flamenco" na Andaluzia. Na minha última passagem pela cidade, preferi aproveitar a luz de fim de tarde para fotografar, mas minha irmã Simone e minha amiga Marusia, que viajavam comigo, resolveram arriscar e... morreram de tédio.

Anyway, se você quiser aproveitar a entrada grátis (incluída no boleto), o Centro Qosqo de Arte Nativo fica na Avenida El Sol nº 604 (quase em frente ao Qorikancha). São duas apresentações por dia, com cerca de uma hora de duração, a partir das 18 horas. Chegue cedo, porque o lugar costuma lotar (vai ver que o show ´w bacana e nós é que somos chatas, rsss).

. Monumento a Pachacuteq
Inaugurado em 2011, essa torre de seis pavimentos, encimada pela estátua do primeiro soberano inca considerado imperador (reinado 1438/1471) abriga e um museu e oferece uma plataforma em seu último andar, na base da estátua, com vista panorâmica para a cidade. Foi inaugurado depois da minha última visita, portanto, não tenho como avaliar. Fica no final da Avenida El Sol. As visitas são das 9h às 18h.


Onde comprar o boleto turístico de Cusco
Escritório central da Avenida El Sol nº 103, Galerías Turísticas
Diariamente, das 8h às 18h. Também na Oficina de Información Turística de DIRCETUR - Calle Mantas nº 117-A, de segunda a sábado, das 9h às 12h e das 14 às 18h. Por fim, o boleto pode ser adquirido em qualquer uma das 16 atrações incluídas no passe.

Também estão disponíveis três modalidades parciais do boleto que custam 70 soles cada um. 

O Circuito 1 dá acesso a Sacsayhuamán, Q’enqo, Puka Pukara e Tambomachay e é válido por um dia.

O Circuito 2 vale por dois dias e dá acesso ao Museu Histórico Regional, Museu de Arte Contemporânea, Museu de Arte Popular, Museu do Qorikancha (atenção, não é o templo!), Centro Qosqo de Arte Nativa e Monumento ao Inca Pachacutec.

O Circuito 3 é válido em quatro atrações do Vale Sagrado (Pisaq, Ollantaytambo, Chinchero e Moray) e também vale por dois dias.

Atrações não incluídas no boleto


O Qorikancha...
Já vi gente mão de vaca deixar de visitar o Qoricancha e a Catedral pelo simples motivo de que não estavam incluídos no boleto. Façam-me o favor de não perpetrar semelhante tolice, pois esses dois monumentos estão entre o que você pode ver de mais espetacular nas Américas.

O Qorikancha cobra 6 soles pelo ingresso. A entrada é pela Igreja de São Domingos, construída sobre as ruínas do templo inca dedicado ao sol. A visita à Catedral custa 25 soles e vale cada centavo. A igreja é simplesmente magnífica, em seu sincretismo andino-colonial. Tem um post sobre ambos aqui na Fragata:
O Templo do Sol e outras "camadas" da história

... e a Catedral: se você não for, merece passar as próximas três encarnações ajoelhada no milho
Para ver mais atrações na cidade, confira este post:
O que fazer em Cusco

Excursões
As agências de Cusco oferecem um city tour aos principais monumentos da cidade. Não é frescura, nem "coisa para turista". Faça, pois vale a pena: os guias são bem qualificados, têm bom conhecimento de história e antropologia e explicam o significado das construções, a história da cidade e do povo quéchua ("incas"). Se  não quiser ficar olhando para um monte de pedras sem entender nada, é essencial fazer o tour. Os preços variam muito, portanto, é bom pesquisar.

Euzinha na Plaza de Armas de Cusco, com a Catedral ao fundo, na minha primeira vista, em 2002
O mesmo vale para o tour ao Vale Sagrado (Vale do Urubamba): visita aos templos e fortalezas do entorno da cidade, o mercado de artesanato de Pisac, Ollantaytambo e o povoado de Chinchero (onde tem uma igreja maravilhosa, toda coberta de pinturas quéchua). Além da comodidade de ter um ônibus que leva a cada um desses lugares  o transporte independente, por aqui, é sempre complicado  também conta com guias qualificados. 

O que você mais vai encontrar em Cusco são lojinhas de "artesanato". Certifique-se de estar comprando peças autênticas, feitas pelos locais, e não objetos industrializados
Artesanato
Nas barraquinhas de Cusco e região você vai encontrar desde a peça industrializada, de baixa qualidade, a artesanato de verdade. A oferta de roupas de lã, então, é uma doideira. Há sempre uma multidão de vendedores ambulantes oferecendo peças muito baratas e jurando que são de "bebê alpaca". Não são. Peças de alpaca custam caro e não espetam. Prefira comprar em locais certificados, que pratiquem comércio justo. Assim, você garante que o artesão seja bem remunerado e não traz gato pra casa achando que é lebre.

Mais sobre Cusco

Inti Raymi, a Festa do Sol
O que fazer em Cusco
Onde comer em Cusco
Um passeio a cavalo pelas montanhas em torno de Cusco
De Puno a Cusco: como é a viagem no ônibus turístico
Um encontro de culturas nas arquiteturas espanhola e inca
Cusco: uma cidade em camadas

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